Satélites da NASA captaram o calor das chamas antes mesmo de as autoridades russas admitirem o tamanho do estrago. Era madrugada de 6 de abril de 2026, e o porto mais estratégico de Vladimir Putin no Mar Negro estava queimando pela quarta vez em menos de seis meses.

Drones ucranianos atingiram o terminal de petróleo de Sheskharis, na cidade de Novorossisk, no sul da Rússia. Seis das sete estruturas usadas para encher os navios com petróleo foram danificadas, as operações foram totalmente paralisadas e o incêndio ficou tão intenso que apareceu nos satélites da NASA que monitoram focos de calor na Terra. Na mesma operação, a Ucrânia atingiu a Admiral Makarov, o último navio de guerra russo capaz de lançar mísseis de longo alcance a partir do Mar Negro. Não foi um ataque isolado. Foi o quarto capítulo de uma estratégia que a Rússia ainda não descobriu como parar.

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Uma BOLA DE FOGO Acaba de Destruir o "Cofre" de Putin... Rússia Sem Defesas

Por que um incêndio em um porto entrou no radar da NASA

Novorossisk é o coração da exportação de petróleo russo no sul do país. O terminal de Sheskharis, operado pela estatal Transneft, é o ponto final de uma enorme rede de canos subterrâneos, chamados oleodutos, que trazem petróleo de várias regiões da Rússia e do Cazaquistão para serem despejados dentro de navios tanque.

Novorossisk é o coração da exportação de petróleo russo no sul do país. Foto: Wikimedia.
Novorossisk é o coração da exportação de petróleo russo no sul do país. Foto: Wikimedia.

Em condições normais, o terminal movimenta cerca de 700 mil barris por dia. Isso equivale a cerca de 20% de todo o petróleo que a Rússia exporta por via marítima.

Na madrugada de 6 de abril, a Ucrânia lançou cerca de 50 drones contra a região. A defesa aérea russa afirmou ter derrubado 148 drones em todo o país em apenas três horas. Mas os que passaram acertaram exatamente onde precisavam acertar. Os drones destruíram as principais plataformas de carregamento, os canos que conectam o terminal aos navios e parte dos tanques de armazenamento.

O fogo foi tão intenso que a Bloomberg confirmou o incêndio com base em dados térmicos dos satélites da NASA, antes mesmo de qualquer imagem oficial aparecer. E a lógica aqui é simples. Não adianta ter petróleo se não há como colocá-lo dentro de um navio. Foi justamente essa etapa que a Ucrânia destruiu.

Imagem da NASA FIRMS mostra focos de incêndio no porto russo de Novorossiysk, incluindo a área do terminal de petróleo de She
Imagem da NASA FIRMS mostra focos de incêndio no porto russo de Novorossiysk, incluindo a área do terminal de petróleo de Sheskharis. Fonte: Bloomberg.

A mesma cidade, o mesmo terminal, pela quarta vez

O que torna esse ataque diferente não é o tamanho. É o padrão que se repete.

Em novembro de 2025, a Ucrânia atacou Sheskharis pela primeira vez com força total. A Rússia gastou semanas e milhões de dólares consertando tudo. Em março de 2026, a Ucrânia voltou e danificou seis das sete plataformas de carregamento. A Rússia consertou de novo. Em abril, a Ucrânia voltou mais uma vez.

Segundo registros do Kyiv Post, o porto já sofreu ataques confirmados em novembro, fevereiro, março e agora em abril. Cada ciclo reforça a mesma lógica: a Rússia conserta, a Ucrânia destrói, a Rússia conserta de novo.

E a cada tentativa, a Ucrânia fica mais precisa. Ela aprende onde estão os pontos fracos, quais caminhos aéreos continuam abertos e quais defesas a Rússia reposiciona.

Em 10 de abril, a Rússia conseguiu reabrir apenas uma das plataformas de carregamento, liberando uma única remessa de 80 mil toneladas, muito abaixo da capacidade normal. Não é reconstrução. É um remendo temporário.

O último grande lançador de mísseis do Mar Negro

Enquanto o terminal ardia, outra perda se desenhava no mesmo porto. A Admiral Makarov é um navio de guerra russo, do tipo fragata, que carrega mísseis Kalibr. Esses mísseis são armas de longo alcance usadas pela Rússia para atingir cidades e infraestrutura ucranianas a centenas de quilômetros de distância.

Fragata russa Admiral Makarov.
Fragata russa Admiral Makarov.

Segundo a agência Defense Express, a Makarov era o último navio de guerra russo da sua classe ainda em operação no Mar Negro capaz de disparar mísseis Kalibr. Uma irmã dela, a Admiral Essen, foi gravemente danificada em um ataque ucraniano em 2 de março, com um incêndio a bordo que durou 18 horas. A terceira do grupo, a Admiral Grigorovich, está presa no Mediterrâneo desde antes da guerra.

O vídeo da operação, divulgado pelo comandante das Forças de Drones da Ucrânia, Robert Brovdi, mostra o navio disparando seus próprios mísseis de defesa na direção dos drones que se aproximam. Os mísseis sobem e erram. Os drones continuam e acertam.

Carregando vídeo…

Na mesma operação, a Ucrânia usou barcos autônomos, que funcionam como naves-mãe no mar, para transportar drones menores até a plataforma Sivash, no Mar Negro. Essa plataforma tinha sido convertida pela Rússia em uma base de radares. Sem esses radares, a vigilância russa na região ficou mais cega.

Por que a Rússia não pode simplesmente mandar outro navio

Aqui está a parte que transforma esses ataques em um problema sem saída para Moscou. A Rússia não consegue repor o que perde.

Desde fevereiro de 2022, a Turquia aplica um acordo internacional chamado Convenção de Montreux e mantém o estreito de Bósforo fechado para navios de guerra de países em conflito. Esse estreito é a única passagem que conecta o Mar Negro ao resto dos oceanos. Na prática, nenhum navio de guerra das outras frotas russas, como a do Norte, do Báltico ou do Pacífico, consegue entrar no Mar Negro para substituir os que foram destruídos.

O resultado é uma armadilha. Quando os ataques ucranianos tornaram a Crimeia perigosa demais, a Rússia transferiu o que restava da frota para Novorossisk. Era o plano B. E o plano B está queimando.

A Frota do Mar Negro já vinha sendo dizimada ao longo da guerra. O navio mais importante dela, o cruzador Moskva, afundou em abril de 2022, algo que Moscou só admitiu formalmente em janeiro de 2026. O Atlantic Council estima que cerca de um terço da frota foi destruído ou danificado por um país que, como o próprio texto observa, mal tem uma marinha convencional.

Um bilhão de dólares a menos, em uma única semana

Os danos não ficam limitados ao Mar Negro. A Ucrânia faz a mesma coisa contra os portos russos no Mar Báltico, especialmente Primorsk e Ust-Luga, que juntos respondem por uma fatia enorme das exportações de petróleo russo.

A fumaça dos incêndios em Ust-Luga chegou a ser visível a partir da Finlândia. A Reuters classificou o resultado como a maior interrupção no fornecimento de petróleo da história moderna da Rússia, com cerca de 40% da capacidade de exportação fora do ar.

Na semana de 22 a 29 de março, as exportações russas de petróleo por mar caíram 43%, de 4,07 milhões para 2,32 milhões de barris por dia. Segundo estimativas da Bloomberg, o Kremlin perdeu cerca de 1 bilhão de dólares em receita em uma única semana.

Para um país que depende das exportações de petróleo para bancar mísseis, drones e soldados, cada dia com os portos parados é um buraco direto no orçamento da guerra.

O que os satélites da NASA realmente viram

O incêndio captado do espaço não foi só um fogo em um porto. Foi a imagem visível de algo maior: um sistema inteiro de poder militar russo que não consegue mais se defender, se reabastecer nem repor o que perde.

A Ucrânia vai atacar Novorossisk de novo. A Rússia vai consertar de novo. Mas a cada ciclo, o navio substituto não chega, o míssil Kalibr lançado de navio vira raridade, e o tempo de recuperação só aumenta.

O que os satélites da NASA capturaram naquela madrugada foi, literalmente, a luz saindo do controle russo sobre o Mar Negro.