O Irã ofereceu reabrir o Estreito de Ormuz em até sete dias. Em troca, quer que os Estados Unidos comecem a suspender o bloqueio naval aos portos iranianos e parem as operações militares na região. A proposta foi entregue ao governo americano por mediadores em 16 de setembro, depois de o bloqueio americano ter praticamente zerado a venda de petróleo iraniano pelo mar.

Resumo rápido:

  • Irã propõe reabrir Ormuz em 7 dias se os EUA suspenderem o bloqueio aos seus portos
  • Embarques de petróleo iraniano caíram de cerca de 2 milhões de barris por dia em março para menos de 260 mil em agosto
  • Desde 23 de setembro, companhias aéreas iranianas estão sob ameaça de sanção em qualquer aeroporto do mundo
Irã acaba de ADMITIR DERROTA em Ormuz... Trump quer acabar de vez
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A oferta foi noticiada pela CNBC e pela Iran International. Segundo uma autoridade iraniana ouvida pela imprensa, o texto teve o aval do líder supremo, Mojtaba Khamenei, que está acima do presidente na hierarquia do regime. Depois da repercussão, o governo iraniano negou parte das reportagens sobre a reabertura, mas não retirou a proposta.

O detalhe que chama atenção é a ordem dos pedidos. A primeira exigência do Irã é o fim do bloqueio americano. Em março, o mesmo Mojtaba Khamenei defendia manter Ormuz fechado como arma contra os Estados Unidos. Em abril, o vice-presidente iraniano avisava que a segurança do estreito “não é de graça”.

Por que o Irã mudou de posição?

Porque o petróleo, que sustenta o regime, parou de sair. Segundo a Reuters, reproduzida pelo US News, o Irã embarcou entre 220 mil e 255 mil barris por dia em agosto, contra cerca de 2 milhões em março. É uma queda de quase 90%. Desde que os EUA retomaram o bloqueio, em 14 de julho, nenhuma carga de petróleo iraniano conseguiu atravessar Ormuz rumo à China, de acordo com as empresas de rastreamento Kpler, Vortexa e TankerTrackers.com.

A Bloomberg confirmou em 11 de setembro que as exportações seguem travadas. Os militares americanos dizem ter desviado mais de cem navios comerciais desde julho. Enquanto isso, o petróleo de Arábia Saudita e Emirados Árabes voltou a passar pelo estreito com escolta americana.

O plano iraniano era simples: se o petróleo do Irã não sai, o de ninguém sai, e o mundo pressiona os americanos a ceder. Aconteceu o contrário. O Irã fechou a porta para os outros e ficou trancado do lado de dentro.

Qual o tamanho do estrago na economia iraniana?

Os próprios números do governo mostram o impacto. Segundo a Al Jazeera, as perdas com petróleo e gás encolheram a economia do Irã em 10% durante a guerra, na comparação com o ano anterior. O presidente Masoud Pezeshkian reconheceu que o comércio exterior do país despencou, e a moeda iraniana perdeu boa parte do valor.

A Guarda Revolucionária, principal força militar do regime, respondeu com ameaças. O porta-voz disse que, se os EUA atacarem de novo, o Irã vai usar armas novas que “vão espantar o mundo”, sem dizer quais. No começo de setembro, o Irã afirmou ter testado um míssil novo contra um porta-aviões e um destróier americanos. Segundo os Estados Unidos, tudo foi derrubado e nenhum navio foi atingido.

Há ainda a dúvida sobre quem manda de fato. O antigo líder supremo, Ali Khamenei, pai de Mojtaba, morreu no início da guerra, em fevereiro. O filho assumiu, mas não aparece em público desde então, e há dúvidas sobre a saúde dele e sobre quanto participa das decisões.

A nova frente dos Houthis no Mar Vermelho

Enquanto o Irã perde força em Ormuz, os Houthis, grupo armado do Iêmen apoiado por ele, abriram outra frente. Em 8 de setembro, lançaram um ataque grande com mísseis balísticos e drones contra o sul da Arábia Saudita, mirando instalações de energia e bases militares. A ideia é criar pressão sobre outra rota do petróleo.

Os Estados Unidos seguraram um ataque direto aos Houthis. A avaliação do governo americano é que bombardear agora poderia levar o grupo a fechar toda a saída do Mar Vermelho, dando ao Irã a segunda crise que ele procura. Em vez disso, os americanos passam informações de inteligência aos sauditas. O Reino Unido entrou na divisão de tarefas: segundo a Al Jazeera, um avião-tanque Voyager da Força Aérea Real vai reabastecer em voo os caças sauditas que derrubam mísseis e drones houthis.

O que Trump disse na ONU?

Na Assembleia Geral da ONU, em 22 de setembro, Donald Trump disse que tem uma “grande decisão” pela frente: fechar um acordo com o Irã ou “aniquilar a República Islâmica”. Segundo a NBC News, ele prevê um acordo logo depois das eleições americanas de meio de mandato, em novembro. Trump acrescentou que o Irã espera o resultado da votação sem perceber que ele próprio não está concorrendo.

A pressão também chegou ao céu. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou que a partir de 23 de setembro qualquer aeroporto que abastecer avião iraniano, ou empresa que vender passagem dessas companhias, corre o risco de ser excluído do sistema bancário americano. De acordo com o The National, a medida vem depois de sanções a todas as 27 companhias aéreas iranianas que ainda não estavam na lista. A principal companhia do país já suspendeu voos para a Turquia e para Omã.

O que vem agora?

O bloqueio continua enquanto o governo americano analisa a proposta. Pezeshkian está em Nova York para a Assembleia Geral e tenta usar países mediadores para avançar na negociação, mas um encontro com Trump foi descartado. Com o petróleo parado e as companhias aéreas no chão, o tempo corre contra o regime iraniano, não contra os Estados Unidos.