Kang Kon entrou em serviço em Wonsan no dia 6 de setembro; no dia seguinte, Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul abriram o Freedom Edge ao sul de Jeju

A Coreia do Norte colocou em serviço no dia 6 de setembro, no porto de Wonsan, o destróier Kang Kon, o mesmo navio que tombou diante de Kim Jong-un durante o lançamento em maio de 2025. Com 5 mil toneladas, ele é o segundo da classe Choe Hyon e leva no convés um sistema de defesa aérea do tipo Pantsir, fabricado pela Rússia. Vinte e quatro horas depois, seis destróieres Aegis dos Estados Unidos, do Japão e da Coreia do Sul começaram o exercício Freedom Edge em águas internacionais a leste e ao sul da ilha de Jeju, com 2.300 militares.

Resumo rápido:

  • Kang Kon comissionado em 6 de setembro de 2026 em Wonsan, 16 meses depois de virar de lado no estaleiro de Chongjin
  • Sistema de defesa aérea do tipo Pantsir-M identificado atrás da chaminé; monitoramento de sanções documentou entrega de Pantsir pela Rússia desde novembro de 2024
  • Freedom Edge de 7 a 11 de setembro: seis destróieres Aegis, 2.300 militares, defesa antimíssil, guerra antissubmarino e interdição marítima
EUA, Japão e Coreia do Sul Acabam de Fazer Aquilo que Kim Mais TEME
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O navio que analistas davam como perdido

Em 21 de maio de 2025, o casco escorregou pela popa enquanto a proa ficava presa na rampa, e o navio tombou diante de Kim. O projeto Beyond Parallel, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), avaliou na época que o destróier poderia ser “perda total”. Kim chamou o acidente de ato criminoso e mandou prender os responsáveis. O navio foi reflutuado em junho, rebocado ao estaleiro de Rajin e, segundo o Naval News, entrou em serviço com 88 células de lançamento vertical e radares de varredura eletrônica, cerca de 16 meses após o acidente.

Na cerimônia, Kim disse que o destróier integra o “sistema estatal de contra-ataque nuclear” e que a marinha do país está sendo convertida em “força armada nuclear”, segundo relato do Korea Times a partir da agência estatal KCNA. O navio-irmão Choe Hyon havia sido comissionado em 23 de junho, menos de três meses antes.

De onde veio o Pantsir do convés

O Naval News identificou nas fotos oficiais um sistema de defesa aérea “do tipo Pantsir-M” instalado atrás da chaminé, com mísseis de curto alcance e dois canhões rotativos de 30 mm, além de oito mísseis prontos para disparo num sistema de defesa de ponto semelhante ao russo. É a primeira vez que um Pantsir aparece num navio de guerra fora da Rússia.

A origem não depende só de análise de imagem. O primeiro relatório da Equipe Multilateral de Monitoramento de Sanções (MSMT), grupo de 11 países criado para substituir o painel de especialistas da ONU, documentou que a Rússia transferiu à Coreia do Norte ao menos um sistema Pantsir e um veículo de combate da mesma família desde novembro de 2024, além de equipamentos de guerra eletrônica, em violação das sanções da ONU. O período coincide com o envio de tropas norte-coreanas para a guerra na Ucrânia.

Esse envio teve custo alto. Cerca de 11 mil combatentes norte-coreanos estavam na região russa de Kursk no início de 2026, segundo o Kyiv Independent, e a inteligência militar ucraniana contabilizava em abril mais de 7 mil mortos ou feridos, conforme a Ukrainska Pravda. O vídeo fala em 14 mil soldados enviados no total; o número de baixas confirmado pelas fontes fica acima de um terço da tropa de Kursk.

Seis destróieres na porta de Kim

O Freedom Edge, exercício trilateral criado em junho de 2024, reuniu os destróieres sul-coreanos Yulgok Yi I e Seoae Ryu Seong-ryong, os japoneses Atago e Asahi e o americano USS Benfold, todos equipados com o sistema Aegis, além de aviões de patrulha marítima P-1, caças F-15 e aeronaves de reabastecimento. O Stars and Stripes registrou 2.300 militares e cinco dias de treino de defesa aérea e antimíssil integrada, com troca de dados em tempo real, evacuação médica e interdição marítima.

O contra-almirante Kim Ji-hoon, do Estado-Maior Conjunto sul-coreano, disse na abertura que o exercício existe para responder às ameaças nuclear e de mísseis da Coreia do Norte e acrescentou: “tenho certeza de que isso também mandará uma mensagem ao navio recém-construído pela Coreia do Norte”, segundo o Korea Times. O exercício manteve o mesmo escopo dos anos anteriores.

Por que o exercício pesou mais desta vez?

Porque três semanas antes o presidente Donald Trump havia mandado cortar outro exercício. Horas antes do início do Ulchi Freedom Shield, em 17 de agosto, ele ordenou ao Departamento de Defesa que reduzisse “substancialmente” o treinamento com a Coreia do Sul, que chamou de sinal “inapropriado e hostil”, citando sua “relação muito boa” com Kim e a intenção de encontrá-lo ainda em 2026. O Defense News detalhou o resultado: o exercício de 11 dias terminou em 21 de agosto em vez de 27, com eventos ao vivo cancelados ou convertidos em simulação.

A resposta norte-coreana veio no dia 20 de agosto, com cerca de dez mísseis balísticos de curto alcance disparados da área de Pyongyang, segundo a CBS News. Kim Yo-jong, irmã do líder, afirmou que a “política hostil” dos Estados Unidos não havia mudado. O Freedom Edge, ao contrário, aconteceu inteiro, na mesma semana em que o Kang Kon entrou em serviço.

O que vem em oito meses

Na cerimônia de Wonsan, Kim afirmou que o país executa “um plano importante para reforçar as forças navais” e que vai “provar isso ao mundo daqui a oito meses”, sem detalhar. O prazo cai em abril de 2027, mês do aniversário do Exército Popular da Coreia. Analistas ouvidos pela imprensa sul-coreana apontam um submarino capaz de lançar mísseis balísticos, possivelmente de propulsão nuclear, como o candidato mais provável.

O novo ministro da Defesa norte-coreano, Kim Song-gi, prometeu em 7 de setembro “contramedidas poderosas e reflexivas a partir de uma posição de força” caso os Estados Unidos e seus aliados tentem “um novo confronto militar”, segundo o jornal Kyunghyang Shinmun. Quando a declaração saiu, os seis destróieres já estavam no mar.