Após 40 dias de guerra, Estados Unidos, Israel e Irã aceitaram um cessar-fogo de duas semanas, com o Paquistão atuando como mediador. Os três lados declararam vitória, mas a realidade é mais complicada.
Os EUA destruíram boa parte das bases e equipamentos militares do Irã e eliminaram o líder supremo do país, porém gastaram mais de US$ 11 bilhões apenas nos primeiros seis dias e viram seus estoques de munição caírem a níveis perigosamente baixos. O Irã perdeu quase toda a sua Marinha e Força Aérea, mas sobreviveu como regime e manteve o Estreito de Ormuz fechado por semanas. E os países árabes do Golfo, que não queriam a guerra, acabaram pagando a conta mais cara de todas.
O que aconteceu em 40 dias de guerra
Em 28 de fevereiro de 2026, Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã. O lado americano chamou a operação de Epic Fury. Os israelenses chamaram de Leão Rugidor. Os alvos eram as defesas aéreas, bases de mísseis, fábricas de drones e os principais líderes do governo iraniano.
O golpe mais forte veio logo nas primeiras horas. O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã por mais de três décadas, foi morto em um ataque aéreo israelense. Junto com ele, cerca de 40 líderes do governo morreram, incluindo o ministro da Defesa e o comandante da Guarda Revolucionária. Nas semanas seguintes, outros nomes importantes foram eliminados, somando cerca de 50 líderes mortos ao longo do conflito.
As Forças Armadas iranianas foram destruídas uma a uma. Segundo estimativas, mais de 200 sistemas de defesa aérea foram eliminados nos primeiros dias, dando aos EUA e Israel o controle total do espaço aéreo iraniano em menos de 24 horas. A Marinha iraniana perdeu mais de 130 navios e barcos. A Força Aérea perdeu pelo menos 69 aviões e helicópteros.
A resposta do Irã surpreendeu
Diante dessa destruição, muitos esperavam que o governo iraniano caísse, mas isso não aconteceu. A resposta do Irã foi enorme e, em parte, algo que nunca tinha acontecido antes.
Teerã lançou ondas de mísseis balísticos e milhares de drones contra Israel, bases americanas e, pela primeira vez, contra todos os países do Conselho de Cooperação do Golfo, que inclui Arábia Saudita, Emirados Árabes, Qatar, Bahrein, Kuwait e Omã.
O ataque contra as instalações de gás do Qatar destruiu boa parte da sua capacidade de exportação, causando prejuízos bilionários. A Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC) também fechou o Estreito de Ormuz, uma passagem marítima por onde circulam cerca de 20% do petróleo mundial, durante praticamente toda a duração do conflito.

A estrutura militar iraniana, feita para funcionar mesmo sem um centro de comando, funcionou mal, com soldados seguindo ordens antigas. Mas funcionou o suficiente para continuar atirando.
A conta que ninguém queria pagar
Os custos dessa guerra são impressionantes. Segundo a Bloomberg, os primeiros seis dias de conflito custaram aos EUA mais de US$ 11,3 bilhões, com US$ 5,6 bilhões gastos em munições apenas nos dois primeiros dias. De acordo com a CNN Brasil, o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) estimou que as primeiras 100 horas custaram US$ 3,7 bilhões, mais de US$ 890 milhões por dia.
O Pentágono pediu US$ 200 bilhões adicionais ao Congresso para cobrir operações e reabastecimento de munições, segundo a Carta Capital. Os estoques de mísseis Tomahawk e de mísseis interceptadores (usados para derrubar mísseis e drones inimigos) caíram a níveis perigosamente baixos, e reabastecer esses estoques pode levar anos.
Mas a conta dos países árabes do Golfo foi ainda mais pesada. Os Emirados Árabes gastaram cerca de US$ 2,6 bilhões apenas em defesa antimíssil nos primeiros dias. Para cada dólar gasto pelo Irã em drones baratos, os Emirados precisaram gastar até 30 dólares para se defender. No total, o impacto econômico para os países do Golfo foi estimado em mais de US$ 100 bilhões, com o preço do petróleo ultrapassando US$ 100 o barril por várias semanas, algo que não acontecia há anos.
Como o cessar-fogo foi alcançado
Com o tempo, ficou claro que nenhum lado conseguiria vencer de vez apenas pela força militar. Os EUA e Israel destruíram a capacidade militar iraniana, mas o governo não caiu. O Irã manteve o Estreito de Ormuz fechado e continuou disparando, mas seus estoques diminuíam rapidamente.
Na noite de 7 de abril, horas antes de um prazo final imposto por Trump, o Paquistão anunciou um cessar-fogo de duas semanas, com reabertura temporária do Estreito de Ormuz e o início de negociações em Islamabad. Segundo o Público, a China exerceu pressão sobre o Irã para aceitar o acordo.
O Irã apresentou uma proposta de resposta com 10 pontos que inclui exigências como o fim de todas as sanções, a retirada das tropas americanas do Oriente Médio e o pagamento de indenizações. Trump chamou a proposta de “base viável”, mas várias dessas condições já foram rejeitadas pelos EUA anteriormente. Segundo a BBC News Brasil, o Irã também se comprometeu a não buscar armas nucleares como parte do plano.
O cessar-fogo, porém, já nasceu frágil. Israel declarou que o acordo não inclui o Líbano, onde continua suas operações contra o Hezbollah. O Irã, por sua vez, acusou Israel de violar os termos ao atacar alvos libaneses. Segundo a CNN Brasil, o tráfego pelo Estreito de Ormuz, que havia recomeçado, voltou a parar após os bombardeios israelenses ao Líbano.
Cinco lições que essa guerra deixou
Esse conflito revelou verdades importantes que vão mudar o equilíbrio de poder no mundo por anos.
Primeiro: matar os líderes de um país não derruba governos automaticamente.
Segundo: um lado mais fraco pode causar estragos enormes com armas baratas, como drones que custam milhares de dólares mas forçam o inimigo a gastar milhões para se defender.
Terceiro: o Estreito de Ormuz continua sendo uma das armas estratégicas mais poderosas do mundo.
Quarto: os estoques de munições dos países ocidentais são limitados, caros e difíceis de repor.
E quinto: o mundo inteiro paga o preço quando essa região entra em guerra, com petróleo acima de US$ 100, comércio parado e entregas atrasadas em todo o planeta.
Afinal, quem venceu?
Cada lado pode declarar vitória do seu próprio jeito. Os EUA destruíram a força militar iraniana. Israel eliminou a ameaça nuclear no curto prazo. O Irã, mesmo arrasado, pode dizer que venceu simplesmente porque o governo sobreviveu, quando o objetivo do adversário era justamente derrubá-lo.
Mas talvez a pergunta certa não seja quem venceu, e sim quem perdeu menos. Com negociações começando em Islamabad neste sábado (11), a trégua de duas semanas pode ser apenas uma pausa antes de um novo capítulo. Como mostram os números, nessa guerra todos pagaram um preço alto, e a paz ainda parece distante.