Dois caças F-16 da Romênia derrubaram dois drones russos sobre as águas territoriais do país no sábado, 17 de outubro, e o recado vale mais que o abate: depois de anos de invasões sem resposta, a OTAN deixou de ter medo de reagir. Segundo a Reuters, em texto publicado pelo The Star, os drones entraram nas águas romenas às 14h59 e às 15h01 (horário de Greenwich), perto das 18h na Romênia, e foram abatidos em seguida.
Resumo rápido:
- Dia 17 de outubro: dois F-16 romenos abatem dois drones Geran, de fabricação russa, sobre águas territoriais da Romênia.
- Em 2026, a Romênia registrou 35 invasões de drones e derrubou seis; em 2025 foram nove invasões e nenhum abate.
- Dia 20 de outubro: o Conselho do Atlântico Norte aprova mais aviões de patrulha, radares, drones e equipes de perícia no Mar Negro.
- Nem a OTAN nem a Romênia culpam a Rússia oficialmente pelos ataques a navios; analistas dizem que ela é a autora quase certa.
O que a Romênia derrubou, e por que isso é novo
O ministro da Defesa, Radu Miruta, disse que os drones voavam a cerca de 450 km/h, velocidade próxima à de um caça pequeno, e que tudo indica serem Geran-4 com motor turboélice. Afirmou ainda que era a primeira vez que a Romênia derrubava drones desse tipo. A identificação é preliminar, e o próprio ministro falou em “indica”. O dado está na mesma matéria da Reuters. O Geran é a versão russa do Shahed iraniano, e a versão comum é bem mais lenta.
Não foi o primeiro abate do ano. Em julho, um F-16 romeno derrubou um drone perto de Sulina, no Delta do Danúbio, o que a UPI contou como o terceiro incidente em uma semana. Os números de 2026 mostram a mudança: segundo o Stars and Stripes, a Romênia registrou 35 invasões não autorizadas de drones neste ano, contra nove em 2025, e abateu seis aparelhos, contra nenhum no ano anterior.

Quem estava atacando navios perto da Romênia
Os abates vieram dias depois de uma sequência de ataques no mar. No dia 15, dois petroleiros foram atingidos por drones em cerca de 12 horas. O Wine Trader, de bandeira de San Marino, foi acertado a uma milha das águas territoriais romenas. Dos 12 tripulantes, cinco foram resgatados e sete seguiam desaparecidos, segundo a Baird Maritime. O outro navio, o Yara J, foi atingido dentro das águas romenas e chegou rebocado ao porto de Constança, sem feridos.
O presidente Nicusor Dan disse que os dois navios foram atingidos por drones, e uma fonte militar da OTAN disse que os aparelhos vieram da Rússia. Pelo menos outros cinco cargueiros foram atacados perto da Romênia e da Bulgária em 10 dias, e 23 marinheiros estavam mortos ou desaparecidos no total, de acordo com a mesma reportagem da Baird Maritime.
Sulina, no ponto em que o Danúbio encontra o Mar Negro, fica ao lado dessa área. Os petroleiros estavam ancorados na entrada do canal que leva ao porto, rota usada pela Ucrânia para escoar grãos quando seus portos sofrem bombardeio.

A OTAN perdeu a paciência?
Há sinais concretos de que sim. Na terça-feira, 20 de outubro, o Conselho do Atlântico Norte, órgão que reúne os embaixadores dos 32 aliados, discutiu o Mar Negro a pedido de Romênia e Bulgária. O resultado, segundo a Al Jazeera, foi o envio de mais aviões de patrulha marítima, radares, drones, agentes de inteligência e equipes de exploração de explosivos. O coronel Martin O’Donnell, porta-voz da aliança, afirmou que a medida mais importante é ampliar sensores e troca de dados. A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, chamou os seis ataques em 10 dias de “escalada perigosa e inaceitável”.
Em outras ocasiões, a resposta a invasões de drones era uma nota de protesto. Desta vez, em poucos dias, houve abate, reunião de emergência e reforço militar.
Por que a perícia importa tanto?
Porque a OTAN só aciona a defesa coletiva do Artigo 5 quando tem certeza de quem atacou, e a Rússia nunca assume nada. A Al Jazeera lembra que a OTAN, a Bulgária e a Romênia ainda não atribuíram os ataques a nenhum país, embora analistas apontem a Rússia como a autora quase certa. O Wine Trader foi atingido logo fora das águas romenas, uma faixa em que a dúvida sobre a regra e sobre o culpado joga a favor de quem ataca. Equipes que examinam os destroços servem para transformar suspeita em prova, e prova tira de Putin a possibilidade de dizer “não fomos nós”.
O alvo não é só o mar. Na mesma semana, suspeitos tentaram incendiar uma instalação ligada à Starlink perto de Vilnius, na Lituânia, e o governo lituano culpou a Rússia, de acordo com o Stars and Stripes. A Starlink é a internet por satélite que as tropas ucranianas usam no campo de batalha.
Isso pode virar guerra com a Rússia?
Até agora, não há sinal disso. Derrubar um drone que invadiu o próprio espaço aéreo é defesa, e a Romênia não atirou em território russo. A mudança é outra: a Rússia apostava que os aliados hesitariam em reagir e que a dúvida sobre a autoria os manteria parados. As duas apostas começaram a falhar. O que ainda falta é saber se os reforços e a perícia vão fazer os ataques pararem ou só tornar mais caro continuar. O próximo drone que cruzar a fronteira será o teste.
