O Ulchi Freedom Shield abriu com 18 mil militares sul-coreanos e vai até 27 de agosto. O governo sul-coreano diz que nada muda.
Os Estados Unidos e a Coreia do Sul abriram nesta segunda-feira, 17 de agosto, o exercício militar conjunto Ulchi Freedom Shield. São 11 dias de manobras, até 27 de agosto, com cerca de 18 mil militares sul-coreanos e um efetivo total perto de 21 mil. O exercício começou poucas horas depois de o presidente Donald Trump ordenar ao secretário de Defesa, Pete Hegseth, que reduzisse “substancialmente” essas mesmas manobras.
A conta Visegrád 24 divulgou a abertura com o objetivo oficial declarado pelos dois países: testar a prontidão da defesa conjunta e treinar a resposta a uma ofensiva norte-coreana.
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A foto que acompanha o post é de arquivo, de um exercício anterior.
O que está confirmado
O calendário foi anunciado em 10 de agosto pelos ministérios de Defesa dos dois países e bate com o que está em execução: 17 a 27 de agosto. Além de americanos e sul-coreanos, participam militares de outros 11 países que integram a Força das Nações Unidas na Coreia. Os 28.500 americanos citados no post não são tropa trazida para a manobra, e sim o efetivo que fica permanentemente instalado na Coreia do Sul.
A ordem de Trump também está documentada. Ele publicou no domingo, na rede Truth Social, que não está satisfeito com os exercícios, que eles são caros e que “mandam um sinal totalmente inadequado e hostil” para a Coreia do Norte, país que, segundo ele, “tem sido nada ameaçador e respeitoso”. A abertura do texto foi assim: “Com base na minha muito boa relação com Kim Jong-un, da Coreia do Norte, não estou satisfeito com o fato de que os Estados Unidos concordaram, muito tempo atrás, em participar de exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul.” Ele afirmou que cancelar já era tarde e mandou reduzir.
A Coreia do Norte reagiu antes da abertura. Em 14 de agosto, o Ministério das Relações Exteriores chamou o exercício de ensaio de “guerra de agressão”, disse que esta edição é mais provocativa que as anteriores e prometeu responder com “força avassaladora”. Em 6 de agosto, o país havia lançado um míssil balístico de curto alcance da região de Wonsan em direção ao mar.
Como o exercício foi montado
O Ulchi Freedom Shield tem duas metades: uma simulação por computador nos postos de comando e os exercícios de campo com tropa na rua. Nesta edição, 20 dos 40 eventos de campo foram remarcados para setembro. A decisão saiu antes da publicação de Trump e teve outra justificativa: o calor extremo do verão coreano e a intenção de espalhar o treinamento pelo ano. O número de exercícios de campo combinados já estava previsto para cair de 17 no ano passado para 14 neste.
O roteiro simulado mudou mais que o calendário. Entraram cenários de ataque com drones, bloqueio de sinal de GPS e ataque cibernético, reflexo direto da experiência de combate que soldados norte-coreanos acumularam lutando ao lado das forças russas na Ucrânia.
Um item ficou de fora. Não haverá, nesta edição, treinamento conduzido por um general sul-coreano de quatro estrelas no papel de comandante do futuro comando combinado.
Por que esse item de fora pesa
É justamente aí que a ordem de Trump machuca. A Coreia do Sul quer concluir a avaliação de capacidade operacional plena desse futuro comando na reunião anual de segurança com os Estados Unidos, prevista para os últimos meses do ano. É a etapa que falta para o país assumir o comando das próprias forças em caso de guerra, hoje nas mãos de um general americano. Essa avaliação se faz treinando, e o Ulchi Freedom Shield é o treino grande do ano. Cada corte no exercício empurra o cronograma da transferência para frente.
Ao custo e à relação com Kim Jong-un, Trump somou um terceiro motivo: a recusa sul-coreana em entrar no esforço americano em torno da desnuclearização do Irã. Com isso, o tamanho do exercício na Coreia passa a depender de um assunto que não tem nada a ver com a península.
O que vem
O governo sul-coreano respondeu que os dois países mantêm coordenação estreita sobre os exercícios e que o Ulchi Freedom Shield segue como foi notificado, até 27 de agosto. O gabinete do presidente Lee Jae-myung acrescentou que espera que a relação entre Trump e Kim Jong-un leve a um diálogo direto entre os dois países. Os eventos de campo remarcados ficam para setembro.
Em 2018, depois da cúpula em Cingapura, Trump já havia suspendido a edição de verão desse mesmo exercício, então chamado Ulchi Freedom Guardian, com o argumento de que era provocativo e caro. Agora a ordem chegou com a manobra em andamento, e a pergunta que fica é para quanto cai a próxima. A instrução dada a Hegseth ainda não virou número.