Drones navais ucranianos atacaram o porto de Sochi, no sul da Rússia, na manhã de 3 de setembro de 2026, e atingiram o navio de apoio Nefrit atracado junto a um dos cais. A Marinha da Ucrânia confirmou a operação no mesmo dia. Horas depois, a agência russa de aviação civil suspendeu pousos e decolagens nos aeroportos de Sochi e Gelendzhik.
Resumo rápido:
- Alvo: Nefrit, navio russo de apoio a plataformas de petróleo e gás
- Quando: manhã de 3 de setembro de 2026, no porto de Sochi, no Krai de Krasnodar
- Sochi fica a cerca de 560 quilômetros da linha de frente
- Aeroportos de Sochi e Gelendzhik tiveram pousos e decolagens suspensos
O que já está confirmado
A Marinha da Ucrânia assumiu o ataque em nota divulgada no mesmo dia e descreveu a ação como “um golpe contra a logística, as capacidades especializadas e a infraestrutura militar-econômica do inimigo”, conforme reproduziu a Ukrinform. As primeiras imagens da coluna de fumaça sobre o porto saíram do canal de monitoramento Exilenova+.
O Militarnyi registrou uma sequência de explosões nas imediações do porto durante o ataque e um sistema antiaéreo Pantsir posicionado perto de um dos pontos de impacto, ou seja, a área estava defendida e o drone chegou ao cais de todo modo. Moradores relataram estrondos no centro da cidade, e as autoridades locais pediram que as pessoas se afastassem da zona portuária, segundo o UA.News.
Nem o governador do Krai de Krasnodar nem o prefeito de Sochi comentaram o episódio. A extensão dos danos ao Nefrit ainda não tem número oficial, e a Gwara Media aponta que a embarcação foi danificada.
Que navio é o Nefrit
O Nefrit é uma embarcação multiuso de bandeira russa construída para dar apoio a plataformas marítimas de petróleo e gás. As tarefas do tipo incluem atender instalações no mar, transportar carga e pessoal e executar trabalhos técnicos submarinos. Operava na área de Novorossiysk e no Mar Negro.
Não é um navio de guerra, e é isso que explica o enquadramento dado pela Marinha ucraniana. O serviço que o Nefrit presta mantém funcionando a infraestrutura de exportação de petróleo, que é a fonte de dinheiro da guerra russa. A mesma lógica já havia sido aplicada aos petroleiros da chamada frota-sombra e aos terminais de embarque.
A Marinha da Ucrânia não informou qual modelo de drone naval usou. Em outubro de 2025, o país apresentou uma versão atualizada do Sea Baby, com alcance ampliado de 1.000 para 1.500 quilômetros, o suficiente para cobrir qualquer ponto do Mar Negro a partir de portos ucranianos.
Por que Sochi importa?
Porque era retaguarda. Depois que a Ucrânia empurrou a Frota do Mar Negro para fora da Crimeia, Novorossiysk virou a principal base naval e o maior terminal de petróleo russo no mar, e Sochi ficou como uma das poucas alternativas de abrigo, ao lado do pequeno porto de Ochamchire, na Abkházia. Sochi está a cerca de 560 quilômetros da linha de frente, no trecho de costa mais distante que a Rússia controla.
Novorossiysk já havia sido atingida em agosto de 2026, num ataque que a Euronews descreveu como o alcance ucraniano chegando ao último santuário da frota russa. Com o porto de Sochi também dentro do raio de ação, a lista de fundeadouros seguros na costa russa do Mar Negro deixa de existir na prática.
O que vem
O efeito imediato é aéreo e recorrente: a suspensão de voos em Sochi e Gelendzhik entra na conta de uma cidade que vive de turismo e serve de porta de entrada para toda a região. Restrições desse tipo já viraram rotina no litoral do Krai de Krasnodar a cada alarme de drone.
No plano militar, o ataque dá continuidade a uma campanha que vem batendo em portos, navios e complexos logísticos russos longe da frente. Entre abril e maio de 2026, drones ucranianos atingiram repetidas vezes a refinaria e o terminal de Tuapse, que processa até 12 milhões de toneladas de petróleo por ano e está entre as dez maiores da Rússia. Sochi era o próximo ponto da costa. Agora já foi.