Em 21 de outubro, a Rússia teve o dia mais sangrento da guerra, segundo a Ucrânia: 2.250 soldados mortos ou feridos em 24 horas. Por trás do recorde está uma mentira. Um general russo disse a Putin que a cidade ucraniana de Dobropillia tinha caído, ela continuava ucraniana, e os soldados que avançam ali pagam para transformar o relatório em verdade.

Resumo rápido:

  • 21 de outubro de 2026: 2.250 baixas russas em um dia, o maior número desde fevereiro de 2022, segundo o Estado-Maior da Ucrânia
  • Outubro fechou com cerca de 54.400 baixas russas, o pior mês da guerra pelos dados ucranianos
  • A Ucrânia acusa o coronel-general Andrei Ivanayev de mentir a Putin sobre a tomada de Dobropillia
  • Os números são ucranianos e não têm confirmação independente
O Dia Mais Mortal da Rússia… Como Putin Perdeu 2.250 Soldados em 24 Horas
Vídeo: Realidade Militar

O que a Ucrânia diz que aconteceu

O recorde anterior era de 2.200 baixas, registrado em 19 de dezembro de 2024, e durou quase dois anos, de acordo com o Estado-Maior ucraniano, que a Ukrainska Pravda reproduziu. Outros dias de outubro também ficaram perto: 2.100 em 18 de outubro e 2.090 em 27 de setembro. Desde o começo de 2026, a conta ucraniana chega a cerca de 363.820 baixas russas, e a soma desde a invasão passa de 1,57 milhão.

O mês inteiro bateu outro recorde. Segundo o Kyiv Independent, outubro terminou com cerca de 54.400 soldados russos mortos, feridos ou desaparecidos, 8.170 a mais que em setembro. A Rússia não publica as próprias baixas, e os números ucranianos não foram confirmados por fonte independente.

Como a mentira sobre Dobropillia entra nessa conta

Em 17 de outubro, o Estado-Maior ucraniano contestou a afirmação do chefe do Estado-Maior russo, Valery Gerasimov, de que a Rússia tinha tomado 92 localidades, entre elas Dobropillia e Kostiantynivka. No dia 18, o presidente Volodymyr Zelensky disse que Dobropillia seguia sob controle ucraniano e que as tropas russas estavam a cerca de 20 km de Zaporíjia, não a 5 km, como teriam informado a Putin.

No dia 20, Kyrylo Budanov, chefe do gabinete do presidente ucraniano, apontou um nome: o coronel-general Andrei Ivanayev, comandante do Grupo de Forças Centro da Rússia. Budanov disse que Ivanayev declarou a cidade tomada, alimenta Putin com informação falsa e cobra dos subordinados ordens irreais para capturá-la, conforme a Ukrainska Pravda. É a versão de Budanov, uma alegação do governo ucraniano, e não um fato confirmado por terceiros.

A lógica da acusação é simples. Se o relatório diz que a cidade caiu, o comando acredita que não há mais inimigo ali, e a infantaria avança sem o apoio de artilharia e aviação que teria numa frente disputada. Para o general, admitir o erro custa a carreira. Para os soldados, custa a vida.

Drone FPV ucraniano adaptado com munição de RPG-7, tipo de arma que domina o campo de batalha. Foto: АрміяІнформ / Wikimedia
Drone FPV ucraniano adaptado com munição de RPG-7, tipo de arma que domina o campo de batalha. Foto: АрміяІнформ / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

O papel dos drones

O que mata essa infantaria, segundo a Ucrânia, são os drones. As Forças de Sistemas Não Tripulados informaram que, em outubro, atingiram um soldado russo a cada 159 segundos, em média, e um alvo de qualquer tipo a cada 41 segundos. Foram 16.796 baixas russas atribuídas só a essa força no mês, e o pico diário foi de 701 em 24 de outubro, segundo o relato do comandante Robert Brovdi, o Madyar, que a Ukrainska Pravda publicou em 1º de novembro.

Esses números também são da própria Ucrânia. Mesmo com a margem de erro que toda contagem de guerra tem, o padrão se repete em fontes diferentes: setembro e outubro foram os meses de maior perda russa desde 2022.

Por que o recorde pode se repetir?

Porque o problema que a acusação descreve continua de pé. Enquanto o relatório falso estiver no mapa de Putin, o comando russo tem motivo para continuar mandando tropas a pé contra posições defendidas por drones, e nenhum general quer ser o primeiro a corrigir o mapa. Se a conta ucraniana estiver certa, o ritmo de outubro não é um acidente de um dia ruim, é o preço de uma ordem que ninguém na cadeia quer desfazer.