A Ucrânia transformou um helicóptero soviético Mi-8 em porta-drones. Em vez de se aproximar do drone kamikaze Shahed para atirar, a aeronave solta drones interceptadores a distância e se afasta. A razão é simples: caçar Shaheds de perto estava matando pilotos que o país não consegue repor.
O helicóptero apareceu num vídeo divulgado pela Presidência ucraniana no dia da Independência, 24 de agosto de 2026. A Janes contou ao menos três drones interceptadores em trilhos externos e disse que eles lembram o Litavr, da empresa ucraniana F-Drones. A empresa não respondeu ao pedido de comentário da publicação.
Resumo rápido:
- Um Mi-8 ucraniano apareceu com drones interceptadores presos à fuselagem no discurso de 24 de agosto de 2026
- O drone é o Litavr, da F-Drones: até 350 km/h e alcance operacional de 40 km
- Helicópteros ucranianos derrubaram mais de 3.200 drones Shahed em um ano, mas tripulações morreram na caça
Por que a Ucrânia precisou de um helicóptero porta-drones?
Porque a caça tradicional custa tripulações. O Shahed é um drone de projeto iraniano que a Rússia fabrica em massa e lança aos milhares. Gastar um míssil de defesa aérea em cada um não fecha a conta, então a Ucrânia colocou atiradores e depois metralhadoras de canos giratórios em helicópteros. Em agosto de 2025, o comandante-chefe Oleksandr Syrskyi disse que os helicópteros haviam derrubado mais de 3.200 drones do tipo Shahed em um ano.
O preço apareceu em 17 de dezembro de 2025. Um helicóptero de ataque Mi-24 saiu para interceptar Shaheds e caiu na região de Cherkasy. Morreram os quatro tripulantes, entre eles o comandante Oleksandr Shemet, Herói da Ucrânia. Segundo a Ukrainska Pravda, o irmão dele disse que as primeiras apurações apontam colisão com um Shahed que voava muito baixo. Não há conclusão oficial.
Segundo o vídeo, a Rússia passou a armar parte dos Shaheds para reagir. Teria havido um com míssil soviético R-60, guiado por calor, e depois outro com míssil antiaéreo portátil, com câmera e rádio, para um operador mandar disparar quando uma aeronave chegasse perto. Esse ponto não foi confirmado por fonte independente. Mesmo que parte desses drones seja isca com míssil falso, o efeito é o mesmo: o piloto não sabe qual deles está armado e tende a ficar longe, onde a metralhadora erra.

Como funciona o porta-drones?
O helicóptero localiza o Shahed, solta o interceptor fora do alcance de qualquer míssil e se afasta. O Litavr chega a 350 km/h e tem alcance operacional de 40 km, segundo o Ministério da Defesa da Ucrânia. Se alguém tiver de ser perdido na troca, será um drone que custa cerca de 1.800 dólares, valor citado pela imprensa ucraniana, e não quatro tripulantes.
A conta também pesa contra a Rússia. Para armar um Shahed, ela precisa de um míssil, câmera, rádio e um operador dedicado, o que deixa o drone mais pesado e mais caro. A resposta ucraniana custa uma fração disso.
A ideia já havia sido testada num avião menor. Em abril de 2026, o piloto Tymur Fatkullin pendurou interceptores sob a asa de um An-28, pequeno avião soviético de passageiros que ele já usava para caçar Shaheds com uma metralhadora na porta, segundo o vídeo.
O que vem depois?
O desafio seguinte são os Shaheds a jato, que passam de 400 km/h e que um helicóptero não acompanha. Contra eles, o interceptor não precisa perseguir ninguém: pode ser lançado à frente do alvo e esperar no caminho. A F-Drones já apresentou o Litavr+, que passa dos 400 km/h e foi feito para esse tipo de alvo.
Ainda não há números oficiais de abates feitos com o Mi-8 porta-drones, e a unidade que o opera é mantida em segredo. A França, segundo o vídeo, mandou helicópteros Tigre ao Oriente Médio para caçar drones e planeja testes reais de interceptores lançados de helicópteros em 2027.

