O Warthog nasceu para sobreviver a tiros de tanque. Em 2026, virou o caçador preferido dos Estados Unidos contra embarcações de ataque rápido no Estreito de Ormuz.

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EUA soltou o "JAVALI"! Irã PERDEU toda a MARINHA

Há um paradoxo instalado no coração da aviação militar americana. A aeronave considerada tecnologicamente ultrapassada pela própria Força Aérea que a opera — um avião lento, barulhento e com design da Guerra Fria — está voando missões de combate enquanto caças de quinta geração guardam a retaguarda. Não é um exercício. É a Operação Epic Fury, lançada pelos Estados Unidos contra o Irã em 28 de fevereiro de 2026, e o A-10 Thunderbolt II estava lá desde as primeiras 48 horas.

O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, confirmou durante coletiva no Pentágono em 19 de março que os Warthogs estão ativamente engajados no flanco sul, voando missões de ataque marítimo. A-10s estão destruindo embarcações de ataque rápido e suprimindo sistemas costeiros de mísseis antinavio no Estreito de Ormuz, perturbando ameaças a uma das rotas marítimas mais críticas do mundo. A frota está operando a partir da Base Aérea de Muwaffaq Salti, na Jordânia, a mesma base que abriga caças F-15E, F-35 e F-22.

F-16 Fighting Falcons da Força Aérea Americana na Base Aérea de Muwaffaq Salti, na Jordânia.
F-16 Fighting Falcons da Força Aérea Americana na Base Aérea de Muwaffaq Salti, na Jordânia.

O avião que nasceu para levar tiros

O A-10 não foi projetado para evitar ser atingido. Essa é a premissa mais contraintuitiva do seu projeto e também a explicação mais honesta para a sua longevidade. Durante a Guerra do Vietnã, a Força Aérea americana percebeu que nenhum dos seus jatos era adequado para apoio aéreo aproximado — o tipo de missão em que a aeronave opera a baixa altitude, perto das tropas e dos alvos, exposta a fogo antiaéreo intenso. Os jatos disponíveis eram rápidos demais e voavam alto demais. Quem fazia o trabalho era o Douglas A-1 Skyraider, um avião a hélice da Segunda Guerra Mundial já completamente obsoleto.

A-10 Warthog
A-10 Warthog

Em 1966, a USAF lançou o Programa A-X com requisitos claros: baixa velocidade, longa permanência sobre o campo de batalha, blindagem pesada e poder de fogo devastador. A Fairchild venceu a concorrência; o protótipo voou pela primeira vez em 10 de maio de 1972 e a aeronave entrou em serviço operacional em 1977.

O coração do A-10 é o canhão GAU-8/A Avenger, um rotativo de 30 mm com sete canos e cadência de 3.900 tiros por minuto. É o maior e mais poderoso canhão rotativo já instalado em uma aeronave — o conjunto completo representa cerca de 16% do peso total do avião. A munição principal, a PGU-14/B API, possui núcleo de urânio empobrecido, material 1,7 vez mais denso que o chumbo que, no impacto, não se deforma: ele se autoafia, cortando blindagem como uma faca aquecida. Uma rajada de 1 a 2 segundos dispara entre 65 e 130 projéteis, suficiente para inutilizar um tanque.

A proteção é igualmente radical. O cockpit fica dentro de uma “banheira” de liga de titânio com espessura de até 38 mm e peso aproximado de 540 kg, projetada para resistir a projéteis de até 23 mm. O sistema de controle de voo é triplicado: dois sistemas hidráulicos independentes e um terceiro sistema mecânico de emergência com cabos e polias. Se ambos os hidráulicos forem destruídos, o piloto ainda consegue controlar o avião manualmente.

A hora em que essa redundância salvou uma vida

Em 7 de abril de 2003, durante a Operação Liberdade do Iraque, a então capitã Kim Campbell respondia a um pedido de suporte emergencial de tropas americanas da 3ª Divisão de Infantaria no centro de Bagdá. Após várias passagens de ataque com foguetes e canhão, um míssil superfície-ar atingiu o estabilizador horizontal direito da aeronave, enviando estilhaços para a fuselagem e seccionando completamente as linhas hidráulicas primárias e de reserva.

Campbell perdeu toda a hidráulica instantaneamente. O avião rolou para a esquerda e apontou em direção ao solo. Nenhum controle respondia a qualquer comando. Na última tentativa, ela ativou o sistema de reversão manual — os cabos e polias mecânicas. O avião respondeu. Gravemente danificada, a aeronave voou cerca de 480 km durante uma hora até pousar com segurança em uma base amiga no Kuwait. Uma inspeção detalhada revelou centenas de furos no avião e grandes seções do estabilizador e dos controles hidráulicos destruídas. O A-10 de Campbell, matrícula 81-0987, foi considerado irreparável. Hoje está em exibição na Base Aérea de Seymour Johnson, na Carolina do Norte.

Por que não existe substituto real

Durante os 40 dias do conflito na Guerra do Golfo de 1991, a força de A-10s foi creditada com a destruição de 987 tanques, 926 peças de artilharia e 1.355 veículos de combate — aproximadamente um quarto de todo o arsenal iraquiano. Foi o batismo de fogo do Warthog. Três décadas depois, a lógica que justificou sua existência ainda não foi superada.

A Força Aérea americana tentou aposentar o A-10 repetidas vezes ao longo da última década, argumentando alto custo de manutenção e vulnerabilidade a sistemas antiaéreos modernos. O Congresso barrou cada tentativa. A lei de autorização de defesa mais recente autorizou a aposentadoria de apenas 59 aeronaves, efetivamente freando o plano de desfazimento e mantendo parte da frota em serviço além do cronograma preferido pela Força Aérea.

Três fatores explicam essa resistência. Primeiro: o F-35, o caça furtivo e multimissão de quinta geração, não foi projetado para permanecer horas em baixa altitude sobre um campo de batalha absorvendo danos e fornecendo fogo de supressão contínua. As doutrinas são complementares, não substitutas. Segundo: o custo operacional. O A-10 é a aeronave tática mais barata de operar no inventário da USAF — usar um caça de última geração para suprimir lanchas iranianas seria um desperdício de capacidade estratégica. Terceiro: o vínculo com as tropas terrestres. Militares iraquianos capturados durante a Guerra do Golfo descreveram o Warthog como a aeronave mais temida em baixa altitude. Soldados americanos reconhecem o som inconfundível do GAU-8 antes mesmo de ver o avião.

A nova função: caçador de drones

Na Operação Epic Fury, os A-10s carregam uma configuração que não existia nos seus primeiros anos de combate. As aeronaves estão equipadas com foguetes APKWS II — sistema de guiamento laser que converte o Hydra 70, um foguete não guiado de 70 mm, em munição de precisão — e com mísseis Sidewinder AIM-9M para engajar drones Shahed-136, veículo aéreo não tripulado de ataque iraniano usado pelas milícias aliadas de Teerã. Um interceptor convencional custaria muito mais por abate. O Warthog faz o mesmo trabalho por uma fração do preço.

Ao divulgar imagens de A-10s reabastecendo em voo, o CENTCOM sinaliza que os Estados Unidos mantêm uma campanha aérea em camadas que inclui não apenas ativos estratégicos de alto desempenho, mas também aeronaves táticas capazes de permanecer sobre a área de operações e aplicar pressão contínua. Para Teerã e as milícias a ela alinhadas, é um aviso de que o poder aéreo americano está posicionado para efeito operacional prolongado — não para ação simbólica.

A próxima tentativa de aposentar o A-10 já está agendada. Mas há uma guerra para terminar antes.


Fontes: The Aviationist, The Aviationist, The Aviationist, Army Recognition, Army Recognition, 19FortyFive, Air & Space Forces Magazine, White House, FlightGlobal, Wikipedia