A Ucrânia transformou em armadilha o gasoduto que a Rússia usava para chegar atrás das linhas ucranianas, perto de Kupiansk, no leste do país. A Operação Veles, anunciada em 22 de outubro pelo 2º Corpo Khartiia da Guarda Nacional, levou soldados ucranianos por baixo da terra por mais de 15 km.

Resumo rápido:

  • A Operação Veles avançou mais de 15 km por gasodutos perto de Kupiansk, na região de Kharkiv
  • Segundo o presidente Volodymyr Zelensky, mais de 100 russos morreram e mais de 30 foram capturados
  • O governo ucraniano diz que não houve nova infiltração russa eficaz desde a operação; os números são de fonte ucraniana
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Como a Rússia chegou a esse cano

O leste da Ucrânia é cortado por gasodutos da época soviética, tubos de aço enterrados que os drones não enxergam. Os russos já tinham usado esse truque em Avdiivka e em Sudzha. Em setembro de 2025, o grupo de monitoramento DeepState informou que as tropas russas cruzavam o rio Oskil por um gasoduto e apareciam dentro de Kupiansk. Segundo o relatório, a viagem até a periferia da cidade levava cerca de quatro dias, com pontos de descanso e comida ao longo do caminho.

A rota era o gasoduto Shebelynka-Ostrohozk, que passa sob o Oskil e foi usado pelos russos desde o verão de 2025, segundo a Ukrainska Pravda.

O que os ucranianos fizeram lá dentro

Em vez de só tentar fechar o cano, a Ucrânia entrou nele. O tubo tem cerca de 1,2 metro de diâmetro, e uma fonte militar ouvida pela Ukrainska Pravda disse que houve combate dentro do próprio cano, onde quase não há espaço para se mexer. Ali os soldados avançam em fila, sem luz do dia e sem sinal de GPS. O relato dos combatentes inclui ainda o cheiro de gás misturado ao de corpos, tão forte que os uniformes precisavam ser lavados várias vezes.

Ao lado das tropas da Guarda Nacional entraram unidades da inteligência militar ucraniana e russos voluntários que lutam contra o governo de Vladimir Putin. Combatentes ucranianos também afirmam ter mandado robôs terrestres armados na frente, para evitar mortes na entrada, mas essa parte não tem confirmação independente.

Prédio da administração de Kupiansk, danificado por bombardeios, em foto de 2023. Foto: 63georgie / Wikimedia Commons (domíni
Prédio da administração de Kupiansk, danificado por bombardeios, em foto de 2023. Foto: 63georgie / Wikimedia Commons (domínio público)

Em 27 de outubro, Zelensky disse que mais de 100 militares russos foram eliminados e mais de 30 capturados, e que o avanço subterrâneo passou de 15 km. Ele afirmou que a Ucrânia “transformou e modernizou” uma tática que os russos já usavam. Os números vêm de autoridades ucranianas e não foram confirmados por fonte independente, como lembra a Euronews.

O que isso mudou em Kupiansk

Segundo o porta-voz Viktor Trehubov, do grupo conjunto de forças, não houve nova infiltração russa eficaz em direção a Kupiansk desde a operação, que tinha o objetivo de inutilizar a rota por completo. A mesma fonte reconhece que unidades russas e ucranianas ainda dividem a cidade, com algumas dezenas de russos nos bairros do norte. A Veles fechou o cano, mas não encerrou a batalha.

Por que isso importa para além da Ucrânia?

Os gasodutos soviéticos não terminam na fronteira ucraniana. A rede de tubos herdada da União Soviética também atravessa países vizinhos da Rússia, e a lição de Kupiansk é que um duto desses serve de caminho escondido para quem estiver disposto a entrar. A Ucrânia aprendeu a fechar essa rota na prática, e outros exércitos vão observar como ela fez.