A aviação russa perdeu oito aeronaves entre 4 e 7 de setembro, em quatro episódios diferentes. Drones ucranianos destruíram dois helicópteros de ataque no aeroporto de Sochi e um Mi-8 na base de Taganrog, além de danificarem outros dois. Na Crimeia ocupada, a inteligência militar ucraniana atingiu um bombardeiro Su-24 na base de Saki. E na região de Kursk dois caças Su-35S, os mais modernos em uso amplo na Rússia, colidiram no ar sem nenhuma ação ucraniana.
Resumo rápido:
- 4 de setembro, Sochi: Ka-52 e Mi-28 destruídos, Mi-8 danificado
- 7 de setembro, Taganrog: Mi-8 destruído, Mi-35 danificado
- 7 de setembro, Kursk: dois Su-35S perdidos em colisão, um piloto morto
- 7 de setembro, Saki (Crimeia): Su-24 de número de cauda 49 atingido por drone
Sochi: dois helicópteros de ataque destruídos no pátio militar
O ataque a Sochi, na madrugada de 4 de setembro, foi visto primeiro pelos incêndios em dois depósitos de combustível. Só dois dias depois, com imagens de satélite, apareceu o resultado mais caro para a Rússia: um Ka-52 e um Mi-28 destruídos no pátio militar do aeroporto e um Mi-8 danificado, segundo a análise do canal de inteligência de fontes abertas Absolutely Reliable, reproduzida pelo Militarnyi.
❗️Ukrainian drones attacked Sochi overnight, with large fires reported at two oil storage facilities. One was the Adlerskaya aviation fuel complex near Sochi International Airport, while the second was identified as a Lukoil oil depot in Sirius. Separately, a Russian S-300/400… pic.twitter.com/uC2hnxPAKP
— NOELREPORTS 🇪🇺 🇺🇦 (@NOELreports) September 4, 2026
Incêndio no depósito de combustível de Adler, ao lado do aeroporto de Sochi, na madrugada de 4 de setembro. Vídeo: reprodução de redes sociais (@NOELreports).
No mesmo ataque, os drones destruíram seis tanques no depósito BATO, que abastece a aviação do aeroporto, e três tanques menores de um depósito da Lukoil. Dois radares do aeroporto foram atingidos, entre eles o radar de vigilância de aproximação, e um lançador de um sistema S-300 ou S-400 explodiu. A operação do aeroporto ficou restrita por mais de 11 horas, com voos desviados e cancelados, segundo a AeroTime.
A fabricante ucraniana Fire Point disse que os helicópteros foram destruídos por drones de longo alcance FP-1, de acordo com a agência UNN. O FP-1 carrega uma ogiva de 60 a 120 quilos e tem alcance declarado de 1.600 quilômetros. O Militarnyi atribui a missão ao 1º Centro das Forças de Sistemas Não Tripulados.
Taganrog: um Mi-8 a menos a 40 quilômetros da fronteira
Na madrugada de 7 de setembro, drones atingiram a base aérea de Taganrog-Central, na região de Rostov, a cerca de 40 quilômetros da fronteira ucraniana. Imagens de satélite analisadas pelo mesmo canal Absolutely Reliable mostram um Mi-8 destruído e um Mi-35 danificado no pátio, segundo o Militarnyi. Nem a Rússia nem o Estado-Maior ucraniano confirmaram as perdas oficialmente, registra a United24 Media.
A base abriga a 325ª Fábrica de Reparo de Aeronaves, que faz a manutenção dos cargueiros Il-76 e dos aviões-radar A-50U, e o 708º Regimento de Aviação de Transporte Militar. Não há vídeo do ataque em si; a prova, por enquanto, é a imagem de satélite.
Kursk: dois Su-35S se chocam no ar
No mesmo 7 de setembro, dois caças Su-35S colidiram em voo sobre a região de Kursk. Um piloto morreu e o outro se ejetou ferido, segundo o canal russo Fighterbomber, ligado à Força Aeroespacial da Rússia, citado pela Meduza. A colisão aconteceu em altitude, longe de qualquer aeródromo. O Ministério da Defesa da Rússia não se pronunciou, e a causa segue sem explicação.
🚨🇷🇺🔥 Wreckage from one of the two Russian Su-35 fighters that crashed today in Kursk Oblast has now emerged, with the pilot confirmed dead.
According to the official Russian version, two Su-35 fighter jets collided with each other in the region and crashed. Images from the… pic.twitter.com/BOSdMqXDuz
— NSTRIKE (@NSTRIKE1231) September 7, 2026
Destroços de um dos Su-35S na região de Kursk. Vídeo: reprodução de redes sociais (@NSTRIKE1231).
Cada Su-35S custa entre 75 e 85 milhões de dólares, o que coloca a perda do dia na casa dos 150 milhões, segundo o SOFX. A Rússia encomendou 12 desses caças em 2024 e recebeu só 10, e o lote mais recente havia sido entregue em 27 de agosto, 11 dias antes da colisão, segundo o Militarnyi. O site de contagem independente Oryx já tinha registrado oito Su-35S perdidos desde o início da invasão.
Saki: drone da inteligência ucraniana acerta um Su-24 na Crimeia
Na noite de 6 para 7 de setembro, operadores do Departamento de Ações Ativas da Diretoria Principal de Inteligência da Ucrânia (HUR) atingiram um bombardeiro Su-24 na Crimeia ocupada. O vídeo divulgado pela própria HUR mostra o drone acertando o avião de número de cauda 49. A comunidade de inteligência de fontes abertas Falcon Insight Map identificou o local como a base aérea de Saki, segundo o Militarnyi.
У ніч з 6 на 7 вересня 2026 року оператори Департаменту активних дій ГУР МО України уразили російський літак Су-24 на території тимчасово окупованого Криму.💥https://t.co/3aQAR8Ltnf pic.twitter.com/6h0Dm0r73L
— NovaKakhovkaUA 🇺🇦 (@hurnkua) September 7, 2026
Vídeo divulgado pela Diretoria Principal de Inteligência da Ucrânia.
A extensão do dano ainda está sendo avaliada. Foi o segundo Su-24M atingido em Saki em pouco mais de um mês: em julho, o Centro de Operações Especiais Omega acertou outro com um drone Hornet lançado a mais de 185 quilômetros de distância.
Por que isso importa?
Dos oito aparelhos, seis foram destruídos ou perdidos e dois ficaram danificados, e só os dois Su-35S caíram sem participação ucraniana. Os outros seis foram alcançados no chão, estacionados, em bases que a Rússia considerava protegidas por defesa antiaérea. Sochi fica a mais de 400 quilômetros da linha de frente. Destruir um helicóptero no pátio custa à Ucrânia um drone de algumas dezenas de milhares de dólares, contra os cerca de 16 milhões de um Ka-52 novo. É essa matemática que a Ucrânia vem impondo à aviação russa, e que agora chega ao litoral do Mar Negro.
O padrão de Sochi e Taganrog, com a confirmação chegando por satélite dias depois, também indica que o balanço da semana ainda pode crescer: as imagens dos pátios atingidos em 7 de setembro seguem sendo analisadas.

