O governo russo teme um atentado contra Vladimir Putin, incluindo um ataque com drones, segundo um relatório de um serviço de inteligência europeu citado pelo Financial Times. Em resposta, ampliou pela quarta vez desde o início da guerra em larga escala contra a Ucrânia a segurança pessoal do presidente russo. Um decreto em vigor desde 1º de julho elevou o quadro da sede central do Serviço Federal de Proteção, o FSO, de 785 para 812 funcionários. Antes da invasão de 2022, esse número tinha ficado parado em 725 por quase 13 anos, desde um teto fixado em 2010.

O número de 785 para 812 funcionários confere com o decreto assinado por Putin, que circulou entre veículos russos como o Kommersant. Esse documento não diz por que o quadro cresceu de novo, o texto é só burocrático. Quem preencheu essa lacuna foi o relatório do serviço de inteligência europeu, obtido também pelo site iStories e corroborado pela CNN. É a primeira das quatro expansões que passou a valer no meio do ano. As três anteriores tinham entrado em vigor sempre em janeiro ou no fim de dezembro: de 725 para 760 no fim de 2022, para 775 em janeiro de 2024 e para 785 em janeiro de 2025.
As checagens de segurança sobre quem se encontra com Putin também ficaram mais rígidas. Segundo o relatório citado pelo Financial Times e pela Meduza, que teve acesso ao mesmo material, funcionários que trabalham perto do presidente passam por dois níveis de triagem, são varridos por cães farejadores do FSO e ficam proibidos de portar celulares com acesso à internet. Putin reduziu viagens: passou vários meses em búnqueres reformados, entre eles um na região de Krasnodar, e não visitou nenhuma instalação militar em 2026, diferente do padrão do ano anterior. Segundo as fontes do Financial Times, Putin e a família também têm aparecido bem menos nas residências da região de Moscou e de Valdai, e passaram a ficar mais em instalações com segurança reforçada.
O padrão de comportamento sugere que o temor não é só um exagero da imprensa: as próprias fontes de inteligência apontam os drones ucranianos de longo alcance, capazes de atingir cada vez mais fundo o território russo, como a principal ameaça monitorada pelo FSO. Isso torna Putin um alvo mais exposto do que em qualquer outro momento da guerra, mesmo dentro de um país do tamanho da Rússia.
Não há sinal de que o cerco de segurança vá afrouxar. Enquanto os ataques de longo alcance continuarem chegando cada vez mais perto de Moscou, a tendência é que o isolamento do presidente russo se aprofunde, com menos viagens, menos aparições públicas e um círculo cada vez menor de pessoas com acesso direto a ele.
