Israel Ataca a Principal Fonte de Renda do Irã e Trump Ameaça Destruir o Maior Campo de Gás do Mundo

Israel atacou, em 18 de março de 2026, as instalações do campo de gás natural South Pars, localizado no Golfo Pérsico, na costa do Irã. O South Pars é o maior campo de gás natural do mundo e responde por cerca de 70% de toda a produção de gás do país. O ataque é considerado a maior escalada desde o início da guerra, que começou em 28 de fevereiro de 2026, quando os Estados Unidos e Israel lançaram uma operação militar conjunta contra o Irã.

Confira a análise em vídeo no canal Realidade Militar

Israel Achou o Calcanhar de Aquiles do Irã... e ATACOU

O Que é o South Pars e Por Que o Ataque Importa

O campo de gás South Pars fica no Golfo Pérsico e é compartilhado com o Qatar, que chama sua parte de North Dome. Do lado iraniano, o campo produz 730 milhões de metros cúbicos de gás por dia, o que alimenta usinas elétricas, sistemas de aquecimento e complexos petroquímicos que sustentam a economia do país.

South Pars, o maior campo de gás do mundo.
South Pars, o maior campo de gás do mundo.

Sem essa receita, a Guarda Revolucionária Islâmica não consegue se manter financeiramente. O dinheiro do gás e do petróleo é o que paga soldados, financia aliados no Oriente Médio e mantém toda a estrutura de poder do regime.

O ataque destruiu parte das instalações de processamento em Asaluyeh, cidade portuária na costa iraniana. Dois refinos com capacidade combinada de 100 milhões de metros cúbicos por dia foram paralisados. Um incêndio se alastrou pelas instalações e foi filmado por moradores da região, cujas imagens circularam pelo mundo em poucas horas.


Trump Nega, Mas EUA Estavam Cientes

Logo após o ataque, o presidente americano Donald Trump publicou nas redes sociais que os Estados Unidos “nada sabiam” sobre o bombardeio ao South Pars antes que ele acontecesse. Disse que Israel agiu por conta própria.

No entanto, uma fonte israelense informou à imprensa que o ataque foi realizado em coordenação com os americanos. Uma fonte americana confirmou que os Estados Unidos estavam cientes do plano antes de ele ser executado. Netanyahu, por sua vez, afirmou publicamente que Israel “agiu sozinho” e disse que honraria o pedido de Trump para suspender novos ataques a infraestruturas de energia iraniana.


Irã Responde Atacando Países do Golfo

A reação do Irã veio poucas horas depois. Em vez de concentrar seus ataques em alvos militares ocidentais, o regime iraniano lançou mísseis e drones contra as instalações de energia de seus vizinhos no Golfo Pérsico: Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

O alvo principal foi o complexo de Ras Laffan, no Qatar, o maior terminal de gás natural liquefeito do mundo. A empresa estatal QatarEnergy confirmou que o ataque causou “danos extensos” ao complexo, com múltiplas instalações atingidas e incêndios de grande porte. Além disso, o Irã atacou a instalação de gás de Habshan e o campo de Bab, nos Emirados Árabes Unidos, assim como uma refinaria na Arábia Saudita e duas unidades de refino no Kuwait.

A resposta foi imediata nos mercados globais. O preço do petróleo do tipo Brent, referência mundial, ultrapassou US$ 110 por barril, com analistas alertando para a possibilidade de novas altas.


Qatar Expulsa Diplomatas Iranianos; Arábia Saudita Ameaça Resposta Militar

A reação diplomática foi rápida. O Qatar, que não estava envolvido no conflito, não havia cedido bases para operações americanas ou israelenses e era considerado um país neutro, expulsou representantes militares e diplomáticos da embaixada iraniana em Doha, ordenando que deixassem o país em 24 horas.

A Arábia Saudita foi mais direta. O ministro das Relações Exteriores saudita afirmou publicamente que o pouco de confiança que ainda restava no Irã foi destruído pelos ataques. Avisos públicos foram feitos de que Riad e outras capitais do Golfo estavam dispostas a responder com força militar se os ataques iranianos não parassem imediatamente.

O Irã, em décadas de diplomacia regional, tentou construir relações com os países do Golfo. Em um único ataque, transformou nações neutras em potenciais inimigos, num momento em que já enfrenta uma guerra direta contra os dois maiores exércitos do Ocidente.


Trump Ameaça Destruir o South Pars Inteiro

Diante dos ataques iranianos ao Qatar, Trump publicou uma ameaça direta: se o Irã voltasse a atacar as instalações de energia do Qatar, os Estados Unidos iriam “explodir completamente todo o campo de gás South Pars com uma força e um poder que o Irã jamais viu ou testemunhou”. A ameaça foi feita em publicação nas redes sociais e confirmada em declarações públicas da Casa Branca.

Trump acrescentou que não pretendia autorizar esse nível de violência por causa das consequências de longo prazo para o Irã, mas que não hesitaria se o Qatar fosse atacado novamente.


Líderes do Regime São Eliminados Um a Um

Enquanto a guerra econômica se acelerava, Israel seguiu eliminando figuras centrais do regime iraniano.

Ali Larijani, Secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional e um dos políticos mais experientes do país, foi morto em ataque israelense. Com sua morte, uma das poucas pontes possíveis entre o Irã e o Ocidente desapareceu.

Gholam Reza Soleimani, comandante das forças Basij, a força paramilitar do regime, também foi eliminado. O governo iraniano confirmou sua morte.

Gholam Reza Soleimani, o comandante das forças Basij do Irã.
Gholam Reza Soleimani, o comandante das forças Basij do Irã.

Esmail Khatib, ministro da Inteligência do Irã, foi morto em operação israelense durante a madrugada de 17 para 18 de março. O presidente iraniano Masoud Pezeshkian confirmou publicamente o que chamou de “covarde assassinato” do ministro, lamentando também as mortes de Larijani e Soleimani.

Três figuras centrais da segurança e inteligência iranianas foram mortas em menos de dois dias.


O Novo Líder Não Aparece em Público

No início da guerra, em 28 de fevereiro, o líder supremo Ali Khamenei foi morto nos primeiros ataques americanos e israelenses em Teerã. Dias depois, em 8 de março, seu filho Mojtaba Khamenei foi escolhido pela Assembleia de Especialistas para ocupar o cargo de terceiro líder supremo da República Islâmica.

Desde então, Mojtaba Khamenei não apareceu publicamente em nenhum vídeo nem em áudio. Todas as comunicações foram feitas por meio de declarações escritas lidas por apresentadores da televisão estatal iraniana.

Relatórios do Times of Israel, com base em áudio vazado, indicam que Mojtaba sofreu ferimentos no ataque que matou seu pai. Segundo esses relatos, ele teria sustentado um ferimento na perna. O presidente Trump chegou a questionar publicamente se o novo líder ainda estaria vivo. O Departamento de Estado americano ofereceu recompensa de US$ 10 milhões por informações sobre seu paradeiro.

Para o povo iraniano, que perdeu parentes e viu bairros inteiros serem atingidos, a ausência pública de seu novo líder é um sinal visível do estado do regime.


A Conta da Guerra

O Secretário de Defesa americano Pete Hegseth confirmou em coletiva de imprensa que os Estados Unidos atingiram mais de 7.000 alvos dentro do território iraniano desde o início do conflito. O Pentágono solicitou ao Congresso um orçamento adicional de US$ 200 bilhões para financiar e reabastecer as forças americanas na guerra.

Os americanos também empregaram bombas perfurantes de 5.000 libras contra bunkers de mísseis iranianos ao longo do Estreito de Ormuz, destruindo instalações subterrâneas. O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo do mundo, permanece com o tráfego praticamente interrompido devido ao conflito, o que agrava ainda mais a crise energética global.

A Agência Internacional de Energia (AIE) publicou relatório pedindo que governos, empresas e cidadãos adotem medidas para reduzir o consumo de combustível, como trabalhar de casa e usar transporte público, para conter o impacto nos preços de energia em todo o mundo.


O Que Vem a Seguir

A diretora de inteligência dos Estados Unidos admitiu ao Senado americano que o regime iraniano ainda está de pé, mas muito enfraquecido. A guerra, que completou três semanas, não caminha para uma rendição formal. O que se observa é um desgaste progressivo: a liderança do regime foi decapitada nos primeiros dias, as principais fontes de receita foram atacadas, e os países vizinhos que antes eram neutros agora ameaçam retaliação militar.

Os preços do petróleo podem ceder quando o conflito diminuir de intensidade. A capacidade do regime de se recuperar política e economicamente é uma questão ainda sem resposta.


Fontes consultadas: NPR, Wikipedia, Al Jazeera, CNN, CBS News, NBC News, The Times of Israel, CNBC, Axios, The Hill, Iran International, Middle East Council on Global Affairs