Anúncio de Marco Rubio encerra designação em vigor desde 1979 e derruba o último grande obstáculo à volta de bancos e investidores ao país
Os Estados Unidos removeram oficialmente a Síria da lista de Estados patrocinadores do terrorismo nesta segunda-feira (24). A designação estava em vigor desde dezembro de 1979, era a mais antiga entre as que restavam, e caiu depois de quase 47 anos. O secretário de Estado Marco Rubio afirmou que o passo reconhece as ações e os compromissos do novo governo sírio para se afastar do terrorismo internacional.
EUA retiram a Síria da lista de países patrocinadores do terrorismo após quase 47 anos.
O presidente sírio Ahmed al-Sharaa celebrou a decisão e agradeceu a Donald Trump. O secretário de Estado Marco Rubio disse que o passo reconhece ações e compromissos do novo governo sírio… pic.twitter.com/5sKam1MdAK
— Realidade Militar (@RealMilitar) August 25, 2026
O processo seguiu o rito previsto em lei. O presidente Donald Trump notificou o Congresso em 8 de julho da intenção de revogar a designação, e o prazo de revisão de 45 dias venceu sem bloqueio dos parlamentares. A revogação formal foi publicada pelo Departamento de Estado e confirmada por veículos como NBC, UPI e Al Jazeera. Com a saída da Síria, permanecem na lista Cuba, Irã e Coreia do Norte.
A Síria havia entrado na lista em dezembro de 1979, no primeiro grupo de países designados, por causa do apoio a grupos armados palestinos e, mais tarde, ao Hezbollah libanês. Na prática, o rótulo proibia venda de armas, cortava ajuda econômica, restringia exportações de itens de uso duplo e obrigava os Estados Unidos a votar contra empréstimos de organismos internacionais ao país.
Em pronunciamento transmitido em rede nacional, o presidente sírio Ahmed al-Sharaa classificou a decisão como histórica e agradeceu nominalmente a Trump. Al-Sharaa chegou ao poder em dezembro de 2024, quando a ofensiva liderada pelo grupo Hayat Tahrir al-Sham (HTS) derrubou Bashar al-Assad em menos de duas semanas. No mesmo anúncio, o governo americano retirou o HTS, antigo grupo de al-Sharaa, da lista de terroristas globais especialmente designados. Rubio citou a favor do novo governo a entrada do país na coalizão internacional contra o Estado Islâmico e as operações recentes das forças sírias contra células do próprio Estado Islâmico e do Hezbollah.
A designação era o último grande entrave jurídico à reintegração econômica do país. O Caesar Act, o pacote de sanções mais duro contra o antigo governo, já havia sido revogado em dezembro de 2025, dentro da lei orçamentária de defesa americana, e boa parte das sanções gerais caiu ao longo do último ano. Mesmo assim, bancos internacionais e empresas de tecnologia seguiam tratando a Síria como zona proibida, porque o rótulo de patrocinador do terrorismo mantinha exigências de licença e risco de punição nos Estados Unidos. O Banco Mundial calculou em 2025 que a reconstrução após 14 anos de guerra civil custaria ao menos 216 bilhões de dólares, e o governo sírio aposta em capital do Golfo para financiar a conta.
Nem tudo caiu. Sanções pontuais do Tesouro americano continuam valendo para Bashar al-Assad e seu círculo, para acusados de violações de direitos humanos e para os envolvidos no tráfico de captagon, a anfetamina que virou a principal exportação ilegal do país durante a guerra.
O próximo teste é transformar o alívio jurídico em dinheiro novo. Os projetos anunciados por investidores sauditas, cataris e turcos desde 2025 dependiam justamente dessa segurança para sair do papel, e os próximos meses vão mostrar se ela era o que faltava.

