Drones ucranianos de longo alcance atingiram no sábado (25) a refinaria de Tiumen, na Sibéria Ocidental, a mais de 2.000 km da fronteira da Ucrânia. O governador da região, Alexander Moor, confirmou que um drone caiu no terreno da instalação e provocou um incêndio. Foi o segundo ataque à planta em pouco mais de um mês: a mesma refinaria, antes conhecida como Antipinsky, já havia sido atingida em 20 de junho.

Vídeos gravados por moradores registraram o momento do impacto. Em um deles, o drone aparece cruzando o céu na direção das torres da refinaria segundos antes de uma bola de fogo laranja subir entre as estruturas. As imagens seguintes mostram duas colunas de fumaça preta sobre o complexo, sinal de mais de um foco de incêndio. Moradores da cidade relataram ter ouvido explosões e atividade da defesa aérea antes de a fumaça aparecer sobre a planta.

A confirmação veio dos dois lados. Moor reconheceu a queda do drone e o incêndio, apagado sem deixar feridos, segundo ele. Do lado ucraniano, as Forças de Operações Especiais (SSO) assumiram o ataque e afirmaram ter agido em conjunto com o grupo de resistência Black Spark. Projetos de inteligência de fontes abertas, como Exilenova+ e Supernova+, geolocalizaram as imagens e confirmaram que foram feitas em Tiumen. Andrii Kovalenko, chefe do Centro de Combate à Desinformação da Ucrânia, também confirmou o ataque.

Segundo as SSO, o alvo atingido foi a unidade de hidrotratamento profundo de diesel, etapa que remove enxofre do combustível e define a qualidade final do produto. As instalações principais estavam cobertas por redes antidrone, “mas isso não as salvou”, afirmou a nota das forças ucranianas. Reportagens apontam o uso de drones aprimorados da empresa ucraniana Fire Point, com alcance de até 3.000 km, número citado pelo presidente Volodymyr Zelensky.

A refinaria de Tiumen processa entre 8 e 9 milhões de toneladas de petróleo por ano, com profundidade de refino de até 98%, e é a única grande planta de refino do Distrito Federal dos Urais. Especializada em gasolina e diesel de alta qualidade, ela já tinha sido atacada em outubro de 2025 e entrou, em junho, na lista de 11 refinarias russas atingidas em um único mês, segundo balanço do Ministério da Defesa da Ucrânia. No início de julho, o Estado-Maior ucraniano estimava que cerca de 42,7% da capacidade projetada de refino da Rússia estava fora de operação por causa dos ataques.

O ataque de sábado fez parte de uma operação noturna mais ampla. Zelensky confirmou que a mesma leva atingiu uma fábrica de armamentos em Kirov, infraestrutura logística em Ekaterinburgo, um depósito de combustível em Rostov e embarcações no Mar Cáspio. Com alvos a 2.000 km atingidos duas vezes em cinco semanas, a defesa aérea russa enfrenta um problema de geografia: é território demais para cobrir.