Kuwait e Bahrein enviaram caças de suas próprias forças aéreas para bombardear alvos dentro do Irã no início de julho, segundo reportagem publicada pelo Wall Street Journal na sexta-feira (24). Citando pessoas a par do assunto, o jornal americano afirma que os jatos atingiram depósitos de mísseis e drones e outras instalações militares em território iraniano, no primeiro ataque direto conhecido dos dois países contra o Irã. Os Emirados Árabes Unidos teriam fornecido inteligência para a seleção de alvos e cobertura aérea defensiva durante a operação. O governo do Kuwait nega.
Kuwait e Bahrein atacaram o Irã com caças próprios pela primeira vez, segundo o Wall Street Journal.
O jornal americano, citando pessoas a par do assunto, diz que os dois países do Golfo enviaram jatos no início de julho contra depósitos de mísseis e drones e outras instalações… pic.twitter.com/RSBKV4C0PV
— Realidade Militar (@RealMilitar) July 26, 2026
A reportagem original, intitulada “Bahrain, Kuwait Warplanes Struck Iran in Rare Gulf Retaliation”, foi repercutida por veículos como Jerusalem Post, Ynet e Middle East Eye. Nenhum governo confirmou a operação. O Bahrein não comentou. O Kuwait foi além da falta de comentário: a embaixadora do país nos Estados Unidos, xeica Zain Al-Sabah, enviou uma carta formal ao conselho editorial do Wall Street Journal chamando a reportagem de “inteiramente falsa” e pedindo correção. Segundo a carta, o Kuwait não participou de nenhuma operação militar contra o Irã e não permitiu o uso de seu território, espaço aéreo ou águas territoriais para ataques contra vizinhos. Até aqui, o jornal mantém a versão publicada.
Se confirmada, a operação teria usado material de primeira linha. O Kuwait opera 28 Eurofighter Typhoon da variante mais moderna, com radar de varredura eletrônica, além de caças F/A-18 Super Hornet. O Bahrein foi o primeiro cliente de exportação do F-16 Block 70, a versão mais recente do caça americano. Os dois países também abrigam estruturas militares dos Estados Unidos: a base aérea de Ali Al Salem, no Kuwait, e o quartel-general da 5ª Frota da Marinha americana, em Manama, no Bahrein.
O ataque descrito pelo jornal seria uma resposta. Em 12 de julho, depois de os Estados Unidos bombardearem cerca de 140 alvos militares no Irã, o governo iraniano disparou mísseis e drones contra cinco países do Golfo que hospedam forças americanas: Kuwait, Bahrein, Emirados, Catar e Omã. No Kuwait, os ataques iranianos atingiram três postos de fronteira e uma plataforma de petróleo, e uma semana depois provocaram incêndio em uma usina de energia e dessalinização. No Bahrein, o Irã diz ter atingido helicópteros e aeronaves de reconhecimento americanas na base de Sakhir. Até então, a participação dos dois países na guerra se resumia a interceptar o que cruzava seu espaço aéreo.
É essa a mudança que a reportagem descreve: monarquias do Golfo que passaram décadas comprando armas ocidentais e evitando confronto direto com o Irã teriam saído da defesa para a ofensiva, com coordenação entre três países do Conselho de Cooperação do Golfo. A negação pública do Kuwait, verdadeira ou não, mostra o tamanho do risco: os dois países estão na primeira linha de qualquer retaliação iraniana, a poucos minutos de voo da costa iraniana, e dependem de instalações de água e energia que já provaram ser vulneráveis.
O desmentido kuwaitiano deixa a história em aberto. Ou o Wall Street Journal recua, ou novos vazamentos e imagens de satélite vão sustentar a versão do jornal. O comportamento do Irã nas próximas semanas deve indicar em qual das duas versões o próprio governo iraniano acredita.

