O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as forças americanas vão bombardear em breve a Montanha da Picareta, complexo subterrâneo ligado ao programa nuclear iraniano. Em declaração pública, ele disse que a área será atingida “com muita força” e que, normalmente, não falaria algo assim abertamente.

Segundo Trump, o alvo receberá ataques “muito pesados”. Ele completou com uma frase dura: “Não há nada que eles possam fazer a respeito.” A fala eleva a pressão militar americana sobre o Irã depois de meses de confrontos e de uma sequência de ataques a instalações nucleares e militares.

A Montanha da Picareta, conhecida em inglês como Pickaxe Mountain, fica perto de Natanz, cerca de 220 quilômetros ao sul de Teerã. O sítio fica a cerca de dois quilômetros do complexo de enriquecimento de urânio de Natanz, um dos pontos centrais do programa nuclear iraniano.

Relatos de inteligência e análises abertas indicam que o Irã pode ter transferido centrífugas e parte do material nuclear enriquecido para o complexo sob a montanha, sobretudo depois que Fordow foi bombardeada. Se confirmado, o deslocamento busca proteger o que sobrou da capacidade de enriquecimento em uma instalação mais profunda e blindada.

O vídeo com a fala de Trump circulou amplamente e resume a nova ameaça americana:

A profundidade do complexo é um dos pontos que mais preocupam analistas militares. Estimativas colocam partes da instalação a dezenas ou mais de cem metros sob rocha sólida. Essa blindagem natural complica o uso de bombas penetradoras, inclusive da GBU-57, a maior arma convencional dos EUA projetada para alvos enterrados.

A construção na área começou anos atrás. Depois de sabotagens e ataques a Natanz, autoridades iranianas falaram em montar um sítio mais moderno “no coração da montanha” para produção e montagem de centrífugas avançadas. Ocidente e Israel suspeitam que o local também possa abrigar enriquecimento não declarado ou armazenamento seguro de material sensível.

Trump já havia citado a Montanha da Picareta em entrevistas recentes, dizendo que o local estava na lista de alvos e que os EUA acompanhavam o movimento no sítio. A declaração desta terça-feira foi mais direta: não falou só em vigiar, falou em bombardear pesadamente e em breve.

Para Teerã, a mensagem é de escalada. Para Washington, é tentativa de impedir que o Irã reconstrua sob a rocha o que perdeu em bases mais expostas. O risco é que cada novo ataque aprofunda o ciclo de retaliação no Estreito de Ormuz, no Golfo e em alvos ligados a ambos os lados.

Do ponto de vista militar, um ataque a um complexo tão profundo exige planejamento cuidadoso. Não basta uma bomba. Pode ser necessário múltiplos impactos no mesmo ponto, ataque a entradas de túneis, energia, ventilação e vias de acesso. Mesmo assim, a certeza de destruição total de salas profundas nunca é automática.

Israel, segundo reportagens recentes, avalia que o Irã moveu centrífugas para dentro da montanha e tem pressionado por ação americana mais ampla. Trump, por sua vez, equilibra a retórica de força com o cálculo político de uma guerra já cara em energia, frete e tensão regional.

A Montanha da Picareta virou símbolo dessa fase do conflito: o Irã tenta enterrar o programa onde for mais difícil alcançá-lo; os EUA e Israel tentam mostrar que não existe santuário. A fala de Trump coloca o sítio no centro da agenda e deixa pouco espaço para dúvida sobre a intenção declarada de Washington.

Nos próximos dias, o que importa é o que sai do discurso e entra na execução. Se os EUA de fato atacarem o complexo, o impacto será medido em imagens de satélite, reações iranianas e efeito real sobre centrífugas e material. Até lá, a ameaça já cumpre um papel: avisar Teerã de que a montanha também está na mira.