Um submarino de ataque da Marinha dos Estados Unidos afundou uma fragata iraniana no Oceano Índico, marcando o primeiro ataque bem-sucedido de um submarino americano contra um navio de guerra inimigo desde a Segunda Guerra Mundial.

Ataque no Oceano Índico

A fragata Iris Dena, da Marinha do Irã, foi atingida por um único torpedo Mark 48 enquanto transitava por águas internacionais, cerca de 40 milhas náuticas ao sul de Galle, no Sri Lanka. O ataque ocorreu por volta das 5 horas do horário local, quando o navio retornava de exercícios navais na Índia.

De uma tripulação de aproximadamente 180 membros, pelo menos 80 morreram, 32 foram resgatados com ferimentos e dezenas permanecem desaparecidos. A Marinha do Sri Lanka foi a primeira a responder ao sinal de socorro, resgatando os sobreviventes.

Características da fragata iraniana

A Iris Dena era uma fragata da classe Moudge, projetada e construída no Irã. Com deslocamento de aproximadamente 1.500 toneladas, estava armada com quatro mísseis antinavio Qadir, dois mísseis antiaéreos, canhões de 76mm e 40mm, além de armamento secundário e torpedos leves.

Fragata da Marinha Iraniana “Iris Dena”

O navio integrava a marinha regular iraniana (IRIN), distinta da Marinha da Guarda Revolucionária, e era considerado uma das embarcações mais capazes da frota.

O torpedo Mark 48

A arma utilizada no ataque, o torpedo Mark 48, está em serviço desde 1972 e representa o único torpedo pesado dos submarinos americanos. Com calibre de 533mm, carrega cerca de 300kg de explosivos e atinge velocidades superiores a 55 nós, operando em profundidades acima de 800 metros.

O diferencial tático do Mark 48 é a guiagem por fio, que conecta o torpedo ao submarino durante o lançamento, permitindo controle direto do operador. Caso o fio se rompa, o torpedo opera de forma autônoma com sonar próprio.

Mecânica destrutiva moderna

Torpedos pesados modernos não funcionam como retratado em filmes. Eles detonam sob o casco, criando uma bolha de gás de altíssima pressão que ergue literalmente o navio. Quando a bolha colapsa, a quilha se rompe sob o próprio peso da embarcação, permitindo que um único torpedo parta um navio ao meio.

Por que ataques são raros

Durante a Guerra Fria, submarinos americanos caçaram submarinos soviéticos em um “jogo de gato e rato” silencioso nos oceanos Atlântico e Pacífico. Apesar de contatos, perseguições e tensão extrema, nunca houve disparos devido à dissuasão mútua.

Após 1991, os adversários dos Estados Unidos não possuíam marinhas relevantes, com submarinos assumindo missões de lançamento de mísseis de cruzeiro contra alvos terrestres. Além disso, mísseis antinavio assumiram o papel dos torpedos contra navios de superfície a partir dos anos 1960 e 1970.

Precedente histórico

O último ataque similar ocorreu em 2 de maio de 1982, quando o submarino nuclear britânico HMS Conqueror afundou o cruzador argentino ARA General Belgrano no Atlântico Sul, durante a Guerra das Malvinas. O ataque matou 323 marinheiros e obrigou toda a Marinha Argentina a retornar aos portos.

Contexto atual do conflito

Este ataque marca uma escalada significativa no conflito entre Estados Unidos e Irã, expandindo as operações para o Oceano Índico e demonstrando que não existe distância segura para embarcações iranianas.

O incidente reafirma a capacidade dos submarinos americanos de operar globalmente, transformando a possibilidade teórica de ataques em realidade concreta após oito décadas.