Três caças F-15E Strike Eagle americanos foram abatidos por fogo amigo no Kuwait em 2 de março, durante a operação militar conjunta Estados Unidos-Israel contra o Irã. Um único caça F/A-18 Hornet da Força Aérea do Kuwait disparou três mísseis e derrubou as aeronaves americanas em rápida sequência, causando perdas estimadas em mais de 150 milhões de dólares.

O Incidente

Por volta das 7h da manhã, horário local, os três F-15E retornavam de missões de bombardeio no Irã quando sobrevoavam o espaço aéreo kuwaitiano. As aeronaves pertenciam ao 4º Fighter Wing de Seymour Johnson e ao 48º Fighter Wing de Lakenheath.

O piloto do F/A-18 Hornet kuwaitiano, que patrulhava contra drones iranianos, identificou erroneamente os caças americanos como ameaças hostis, possivelmente confundindo-os com drones ou mísseis de cruzeiro. Os seis tripulantes americanos conseguiram ejetar e sobreviveram ao incidente.

Contexto da Operação

O incidente ocorreu durante a “Operação Fúria Épica”, campanha militar iniciada em 28 de fevereiro contra o Irã. Até aquele momento, mais de 2.000 ataques haviam sido realizados por cerca de 200 aeronaves de combate.

O Irã retaliou com ondas de mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro e enxames de drones contra bases em todo o Golfo Pérsico. A base aérea de Al Salem, de onde operavam os F-15E, havia sido atacada, e seis soldados americanos foram mortos por um drone iraniano no porto de Shuaiba apenas um dia antes do incidente.

Falhas nos Sistemas de Segurança

Vários sistemas de proteção contra fogo amigo falharam simultaneamente:

  • Sistema IFF (Identificação Amigo-Inimigo): O transponder pode ter apresentado mau funcionamento durante o voo
  • Rede Link 16: A rede de dados táticos sofreu degradação em ambiente operacional intenso
  • Sensores infravermelhos: Os F-15E não possuem sensores de alerta contra mísseis infravermelhos nas versões mais comuns

Análise Técnica

O tipo de dano observado nos F-15E – estabilizadores arrancados e fogo na traseira, sem destruição instantânea – é consistente com impactos de mísseis Sidewinder guiados por infravermelho. As tripulações não receberam alerta antes do impacto.

Especialistas apontam que é difícil confundir um F-15E com drones ou mísseis iranianos, especialmente quando não estão manobrando agressivamente. No entanto, em um ambiente saturado de ameaças, o piloto kuwaitiano provavelmente interpretou erroneamente os contatos ambíguos como hostis.

Consequências

Este foi o pior incidente de fogo amigo na aviação tática americana em décadas. Uma investigação está em andamento para determinar as causas específicas das falhas nos sistemas de segurança.

O caso demonstra que, mesmo com tecnologia avançada, a guerra moderna permanece caótica e imprevisível, com sistemas que podem falhar sob pressão extrema e operadores humanos suscetíveis a erros fatais em situações de alto estresse.